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Entrevista com Hermes Baroli para a 10ª edição do Ano 1, de 2001 da Revista Henshin, falando de seus personagens japonêses, da volta de Cavaleiros e de sua carreira no Rio.

Hermes Baroli praticamente nasceu dentro dos estúdios de dublagem e no meio televisivo. Quando não estava acompanhando seu pai dublando ou sua mãe nas gravações de novelas do Sbt, ia participar do Programa do Bozo - onde até chegou a ganhar prêmios. Hoje, com mais de 12 anos de dublagem, Hermes se radicou no Rio e foi direto de lá que ele nos contou sobre sua carreira e sobre os personagens de séries japonesas que já fez.

Henshin: Como você começou na dublagem?


Baroli: Freqüentei estúdios de dublagem desde criança com o meu pai e minha mãe. Um dia passei na Álamo para visitar o meu pai (Gilberto Baroli) e me chamaram pra fazer um teste para o garoto de Superman 4. Acabei passando e aí começou minha carreira. Em seguida, fiz o Kenta, no Jaspion, e fiz a maioria das séries japonesas na Álamo: Changeman, Go Go Five, Flashman, Jiraiya... Além disso, também dublei um seriado da Lassie na Bks.

Henshin: Dessa primeira leva, qual foi o seu personagem japonês de maior sucesso?

 

Baroli: O Manabu, de Jiraiya.  

 

Henshin: Mas você ficou famoso junto ao público com o Seiya...

 

Baroli: Com o Manabu eu ganhei meus primeiros “fãnzinhos”, mas o Seiya foi minha primeira experiência em ficar conhecido: foi a primeira vez que senti esse “glamour” da dublagem. E isso já tem sete anos, eu tinha 18 anos, e o pessoal lembra até hoje. E isso não teria acontecido se não fosse pelo Seiya.  

 

Henshin: E como foi essa fase da explosão dos Cavaleiros do Zodíaco?

Baroli: Foi uma época muito legal: recebia muitas cartas, dei várias entrevistas, aumentou muito meu trabalho em dublagem, por que os clientes queriam os personagens principais com a voz do Seiya - chegou Samurai Warriors e pediram que eu fizesse o Héctor. Além disso, Cavaleiros rendeu três anos de trabalho pra gente.

Henshin: Qual foi a sequência de Cavaleiros que mais te marcou?

Baroli: Foi logo a primeira cena do Seiya arrancando a orelha do Cássius. Na hora eu até falei para o meu pai, que dirigiu a série, que achava que aquele desenho não ia fazer muito sucesso por causa da violência. Mas a gente não tinha noção do sucesso da série fora do país. Achamos que seria só mais um trabalho, mas depois vimos o que era Cavaleiros do Zodíaco. Mesmo assim, sabendo ou não se a série faria sucesso, ela foi feita com muito carinho desde o início.
 

Henshin: Na época dos Cavaleiros, que personagens japoneses você fez?

Baroli: Rolou o Biker, do Winspector, o Héctor, de Samurai Warriors, fiz o Geo em Guerreiras Mágicas, também teve Sailor Moon, onde eu fazia o Kelvin - e que deu pra "brincar" bastante com ele. Também deu para "brincar" com o Leiga, do Shurato.

 

Henshin: O que você quer dizer quando fala "brincar" com o personagem?

Baroli: Significa deixar o personagem mais solto, mais natural. É diferente do Seiya, que era um cara mais quadrado, que tinha que seguir uma linha de conduta.


Henshin: Ano que vem, Cavaleiros deve voltar à Tv. Você é a favor ou contra a redublagem da série?

Baroli: Sou a favor de redublar. Primeiro porque é mais um trabalho e teremos certeza de que vamos receber por isso. ,Caso a série vá ao ar com a dublagem original não iremos receber por isso. Em segundo, como já conhecemos bem a série, seria feito um trabalho mais elaborado, mais cuidadoso. Cavaleiros é um desenho que não pode ser dado nas mãos de qualquer um!

A Gota Mágica não pagou todos os seus dubladores até hoje.



Henshin: Mas as vozes originais seriam mantidas?

Baroli: Sim, por que é o que o pessoal já conhece, são as vozes que marcaram, o resto seria imitação. É igual nos Simpsons, todo mundo prefere as vozes originais.

Henshin: E você viria para São Paulo fazer o Seiya?

Baroli: Iria. É só fazer um esquema especial para eu poder ir que não tem erro!!!

Henshin: Por que você decidiu ir pro Rio?

Baroli: Conheci algumas pessoas na área de Tv e me interessava estar perto delas. Eu já tinha trabalho três meses no Rio - antes dos Cavaleiros - e esse era um desafio que queria encarar.

Henshin: E como foi sua chegada no Rio?

Baroli: Fui na Vti, contei que já tinha 12 anos de trabalho em São Paulo e uma tal de Vânia, que me atendeu, disse que eles não estavam precisando de estagiários!!! Deu oito meses, eles me chamaram para me contratar. E foi muito legal trabalhar lá, pena que a Vânia pegou no meu pé e acabei saindo da Vti. Fiz grandes trabalhos lá: O Resgate do Soldado Ryan, Now And Again, Nash Bridges, Jag e até brinquei de fazer Os Simpsons.

Henshin: O que mais você fez de legal no Rio?

Baroli: Fiz Buffy, Angel, Action Man e acabei fazendo a nova série do Homem Invisível.
 

Henshin: E de séries japonesas?

Baroli: Dos japoneses fiz o Redford de Super Pig, o Joe de Digimon e participei do longa Pokémon - O Filme 2000.

Henshin: E como foi viver outra febre de animes com Digimon?

Baroli: para ser bem sincero, não rolou nada de febre de Digimon, não... Nem dá para comparar com o que foi Cavaleiros, acho que Digimon nem chegou perto do Manabu!!! (risos).

Henshin: Mas foi legal fazer o Joe de Digimon?

Baroli: Foi muito legal e é um personagem que devo ao Christiano Torreão - ele abriu mão dele e me deu para fazê-lo. Na verdade eu tinha feito teste para o Matt e não passei.
 

Agradecimentos ao Centro Cultural da Juventude de São Paulo pelo Material.