Artigos

Artigos de Revistas

Entrevista com Jorge Eduardo para a Revista Animação, 8ª edição de 1995, falando um pouco de seu personagem em Arquivo X, de sua saída do personagem e do começo de sua carreira.

Jovial, espontâneo, talentoso. . .  Assim pode-se definir à primeira vista este que é um dos mais promissores nomes da nova geração de dubladores brasileiros que, quando entrava nos estúdios da Vti, aqui no Rio, assumia a personalidade inquieta de Fox Mulder, o agente do Fbi envolvido nos mais bizarros casos do “Arquivos X”.  Entrava, pois que, com o mesmo mistério de um caso não solucionado, ele foi mandado embora sem mais aquela, deixando no ar uma grande expectativa e revolta por parte dos fãs da série.  Esta entrevista foi feita bem antes de sabermos que caberia a Eduardo Borgerth a nova voz de Mulder.  Vamos então conhecer o trabalho de

Eu comecei há 3 anos, fazendo estágio. Tinha feito um curso na Urca e de lá fui para a Vti: comecei fazendo o que a gente chama de dublagem de vozerio, personagens pequenos.

 

Eu saí do vozerio e fui fazer o Simon do Alvin And The Chipmunks, o intelectual dos três irmãos. Foi quando comecei a pegar personagens maiores.

 

Entre os quais...

 

Fox Mulder.

 

Foi uma coroação, vamos assim dizer.

 

Foi um presente, cara. Eu ganhei ele. Tinha ido um diretor da Herbert pra Vti, Francisco José, que não me conhecia, e haviam chegado três séries – X-Files, Deep Space Nine e Os Novos Intocáveis. Eu estava no estúdio dublando os Chipmunks, fazendo aquela voz de falsete, e ele entrou, ficou olhando o meu trabalho, mas não pôde comparar – uma coisa é desenho, outra é filme. Aí ele chegou pra mim e disse que eu ganhara um fixo com ele no Arquivo X. Não cheguei a fazer um teste, mais gravei um loop enorme pro Chico avaliar. E fomos...

 

Falando em DS9 você fez o Q, não foi? (Episódio Q’s Lance).

 

Fiz. E adorei. Q é maravilhoso. Ele é bobo: é uma criança cheia de poder, que estala o dedo e você ta em Vênus...

 

Fora o Mulder, algum outro papel de destaque?

 

Eu dublo na Herbert um garotão, Tod, de um seriado chamado Sweet Balley Hein, que deve entrar no lugar de Barrados.

 

Ouvi dizer que você não está mais fazendo o Mulder. O que houve?

 

Eu fui demitido da Vti.

 

Assim, sem mais nem menos?

 

Fui demitido. Uma empresa, eu era funcionário, não precisamos mais dos seus serviços, aviso prévio, demitido. Pronto! Só isso!

 

Sabe quem vai dublar o personagem daqui em diante?

 

Não sei... Espero que seja eu... Porque é a coisa que eu faço com maior prazer em dublagem. Faço feliz...  Porque é muito bom. Dublar aquilo é paradisíaco... Ainda mais com a Jura (Juraciara Diácovo, a dubladora de Scully, no próximo número) do lado. Ela me ensinou muito. Tenho uma gratidão eterna a ela.

 

Vocês estão praticamente casados no trabalho, então!

 

Como o Fox e a Scully lá, também os dois dubladores do lado de cá se dão muito bem. Uma parceria enorme.

 

Você é mais dublador ou mais ator teatral?

 

Antes de tudo, eu sou ator. E como ator eu faço de tudo. A gente tem que dar tiro pra tudo quanto é canto: pra dublagem, pra televisão, pra teatro, cinema – que eu sou louco pra fazer.

 

 

E por enquanto é só esse seriado na Herbert, mas a expectativa de voltar a dublar o Mulder...

 

Se me chamarem pra continuar, eu faço com o maior prazer, o maior carinho...  Gente, eu conheço ele dos pés à cabeça. Não tem uma piada dele que eu não entenda, uma coçada de cabelo que eu não saiba o que ele vai dizer, onde vai entrar...

 

Dublagem é um hobby pra você?

 

Não. É mais um tentáculo da profissão, que não é mole. A gente ganha uma miséria. Daí que eu falo que a gente tem que dar tiro para todos os lados.

 

Tem gente que adora. Tem um dublador da minha geração, o Guilherme Briggs: ele ama dublagem, tem uma admiração que é louca, muito maior que a minha.

 

Bom, Jorge, resolvidas as questões, a gente chega ao final. Algum recado para os nossos leitores?

 

Eu queria mandar um recado pra galera que gosta de Arquivo X: em meu nome e no nome da Jura, eu queria agradecer o carinho das pessoas. O que eu mais ouço é que está muito bom: quando a Gillian Anderson vai falar, as pessoas só conseguem ouvir a voz da Jura, e quando o David Duchovny vai falar, só ouvem a minha. Eu queria agradecer mesmo.

 

E um aviso importante: A verdade está lá fora.

Agradecimentos ao Centro Cultural da Juventude de São Paulo pelo Material.